“Morte. Outra vez trouxe lamúria às faces fúnebres de quem ama, de quem é escravizado pelo ritmo desafinado que as despedidas prematuras cantam pros tímpanos que antes preferissem o silêncio das notas, do que ouvir uma voz que já não fala, um grito que já não estronda, um chamar de quem não vem mais pro almoço no domingo. Os anjos vão acabando, sumindo, morrendo, e o que resta sobre os véus pretos à beira do derradeiro é a dor da ausência, o vazio adornando a condolência, e o pesar dos dias escuros tonalizando olheiras profundas nos olhos cansados de chover. A morte tarda, mas chega. E as vezes nem chega a tardar, chega cedo, vem buscar no portão de casa, te sequestra no silêncio do desconhecido, e te leva por suas estradas peçonhentas sem deixar rastros. Se chorar é consequência de algum sentimento forte, deixemos escorrer o afeto, expor a bagunça, desmoronar em paz, porque quando o assunto é o veneno da morte, todo ser que respira tem um lado chorão.”
— Talvez a morte seja apenas uma criança inocente e solitária, brincando com sua arma carregada na cegueira da escuridão, colecionando os anjos que mata como se fossem figurinhas pro seu álbum de pêsames mortíferos.Annd Yawk (via cerejadosundae)